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O Que É Incorporar? História Do Dia Que Incorporei Aos 7 Anos | Do Fala Aí, Ninha para o Blog



Primeiro eu vou explicar para vocês o que é a incorporação, pelo menos no meu ponto de vista, que não é uma verdade absoluta. Acho importante contextualizar antes de falar sobre isso e sobre como foi para mim o meu processo de incorporação.


A incorporação é a concepção de um processo de transe. Esse processo vai ocorrer quando um adjá, no caso do Candomblé, ou quando o atabaque está tocando. Esse processo pode ocorrer também quando pessoas mais velhas de santo que a gente, ou um ogã, ou uma equede chamam o orixá. Existe uma energia, e em muitos momentos é essa energia que proporciona que o processo de transe aconteça, que o processo de incorporação ocorra. Importante trazer à informação que pode acontecer do orixá e outros espíritos de luz, descerem quando necessário mesmo não sendo chamados. 



Vai depender muito da energia e do lugar onde a pessoa esteja. Existem casos de pessoas que incorporam na rua, existem casos de pessoas que só incorporam dentro de casa, outras incorporam no terreiro, outras no centro espírita. Isso também depende se a entidade que está próxima e quer vir para a Terra está sentindo espaço para que isso ocorra.


Também existe a questão dos médiuns, né? Se a pessoa sabe ou não lidar com a energia, como construiu sua relação com as entidades, com os espíritos que estão no caminho, no campo vibratório. Tudo isso é muito particular e muito relativo. Mas o processo de incorporação eu posso definir para vocês como um processo de transe, com fatores que podem interferir para que ele ocorra ou não. Não sei se expliquei bem, mas espero que sim.


Agora eu vou falar para vocês quando eu incorporei pela primeira vez. Eu tinha sete anos de idade. Era muito novinha e tudo foi muito intenso, porque eu não consigo me lembrar bem. Foi uma incorporação totalmente inconsciente. Na verdade, a minha incorporação é totalmente inconsciente até hoje.

Eu comecei a sentir um calafrio, comecei a sentir algo que eu não sei expressar. Eu não sei se era um aperto... Eu tinha sete anos, né, gente? Então, desculpem se a memória falhar um pouco. Depois desses sete anos, passaram-se alguns anos e incorporei novamente com dez.

Eu estava no terreiro de Umbanda da minha família paterna. Ali eu tenho uma consciência um pouco mais sólida, porque comecei a chorar muito. Senti uma ânsia de choro muito grande, uma vontade enorme de chorar. O coração começou a acelerar, um calafrio, muito arrepio. Do nada, comecei a chorar muito, muito mesmo, muita lágrima. A vista ficou turva. Não sei se era por causa das lágrimas ou se eu já estava entrando no processo de transe. Depois disso, não lembro de mais nada.

Só lembro das sensações que tive. E lembro do que as pessoas falaram. Algumas disseram que eu tinha incorporado Nanã, outras disseram que eu tinha incorporado Iemanjá, que inclusive é o meu segundo santo. Eu lembro que voltei com flores na mão e cheiro de alfazema nos braços. Foi assim.

Eu não sei muito como explicar isso para vocês, porque foi muito intenso para mim. Depois disso, eu não parei mais de incorporar.


A Umbanda tem uma concepção diferente do processo de incorporação. Podem vir várias entidades, vários orixás. No Candomblé é um pouco diferente, dependendo do fundamento da casa. Normalmente você incorpora apenas o seu primeiro santo por muito tempo. Depois da obrigação de três anos, você consegue incorporar o seu segundo santo.

Quanto ao terceiro santo, acho que é unânime que ninguém incorpora. Ele é mais como o santo ancestral que acompanha a gente em todas as encarnações. Mas isso depende muito da casa. Há terreiros de Candomblé em que a pessoa só incorpora o primeiro santo e fica nisso mesmo, sem o segundo ou terceiro. Depende de cada fundamento.

Eu tenho lembranças muito gostosas de tudo isso. Mas é assustador, não vou mentir. Não importa a idade. Quando a gente incorpora, é assustador porque a gente perde o controle do corpo. Não conseguimos lembrar de nada. Lembro que um dia me perguntaram para onde eu ia quando incorporava. E eu digo para vocês: a sensação é literalmente a de estar dormindo. Não é dormir, porque o corpo não descansa, mas é a sensação mais próxima que consigo descrever. Quando volto, volto muito cansada.

Eu entendo minhas duas primeiras incorporações como algo atípico. Tenho referência de que uma das minhas tias paternas também incorporou muito nova, com sete anos. Talvez seja algo de família, não sei. Não sei se existe esse tipo de coisa, estou sendo sincera com vocês. Mas para mim foi muito novo, muito cedo.


Na época, eu nunca parei para analisar nada disso. Fui vivendo. Nunca interpretei como algo pesado. Eu penso que a gente só incorpora de fato quando o santo quer vir. Não dá para fingir que está incorporado, apesar de existirem pessoas que marmotam, como a gente diz no Candomblé. No fundo, o orixá sabe a hora de vir e a hora de ir. As entidades sabem. A gente precisa respeitar.

Nunca levei isso como peso para mim. Aceitei e vivo isso até hoje com muito amor. Eu tenho muito amor pela minha religião e isso já é perceptivo.


Até o próximo post aqui no blog!


 
 
 

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